A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a produzir efeitos concretos no preço do diesel no Brasil e tem pressionado o abastecimento de transportadoras em diferentes regiões do país. Levantamento da TruckPag baseado em dados reais de transações de abastecimento de transportadoras e frotas atendidas, mostra que o diesel S10 registrou alta média nacional de R$ 0,94 por litro (+16,43%) entre 28 de fevereiro e 11 de março.
Em alguns estados, o aumento chegou a R$ 1,23 por litro no período. A evolução diária dos preços indica aceleração dos repasses, com o combustível saindo de cerca de R$ 5,73 no fim de fevereiro para mais de R$ 6,68 no dia 11 de março.
“Para quem vive do transporte, qualquer instabilidade no diesel preocupa. O combustível é um dos principais custos da operação e qualquer aumento pressiona o valor do frete”, afirma Kassio Seefeld, CEO da startup. “Mesmo com a queda recente do petróleo, o preço ainda segue sensível. Quando isso acontece, o impacto não fica só nas transportadoras, ele pode chegar ao preço final de produtos que dependem do transporte rodoviário em todo o país”, completa.
Segundo o levantamento, o avanço do preço do diesel tem ocorrido de forma desigual entre os estados, com pressão mais intensa no Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste. O Maranhão lidera a alta no período, com aumento de 25,89% desde o fim de fevereiro, seguido por Goiás (20,15%), Bahia (19,83%) e Pará (19,34%). Estados com grande relevância logística também aparecem entre as maiores variações, como Paraná (19,09%), Santa Catarina (19,07%) e São Paulo (18,50%). No recorte nacional, a média de aumento já chega a 17,35%, indicando que a pressão sobre os custos de abastecimento das transportadoras se espalha por praticamente todo o país.
“Em momentos de volatilidade como este, a gestão de combustível deixa de ser apenas uma questão operacional e passa a ser estratégica para as transportadoras. Mapear consumo, identificar desperdícios e acompanhar o preço real pago nos abastecimentos e não apenas o valor de tabela passa a fazer diferença direta na sustentabilidade financeira das operações”, diz Seefeld.
Outro fator que reforça a precisão do levantamento é o perfil da rede monitorada pela TruckPag. Cerca de 94% dos mais de 4.700 postos credenciados na plataforma são voltados ao abastecimento de frotas pesadas e estão localizados majoritariamente em rodovias, pontos onde caminhões efetivamente realizam suas operações de abastecimento. Isso faz com que os dados reflitam com maior fidelidade a dinâmica do diesel no transporte rodoviário de cargas, oferecendo um retrato mais direto do impacto sobre a cadeia logística do que levantamentos que consideram todos os postos, incluindo aqueles voltados principalmente ao abastecimento urbano de veículos leves.