A presença feminina ao volante ainda representa uma parcela reduzida do Transporte Rodoviário de Cargas brasileiro. Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com base na RAIS de 2024, mostram que o país tinha 713.229 motoristas de caminhão com vínculo formal, dos quais apenas 7.567 eram mulheres, o equivalente a 1,06% do total.
Ao mesmo tempo, a dificuldade para encontrar profissionais segue pressionando as empresas. Pesquisa apresentada pela NTC&Logística no CONET&Intersindical de agosto de 2026 mostrou que 88% das transportadoras enfrentam dificuldades para contratar motoristas ou agregados. A combinação entre escassez de mão de obra e baixa participação feminina amplia a discussão sobre formação profissional e sobre como criar condições para que novos públicos ingressem e avancem na atividade.
Foi diante desse contexto que a West Cargo estruturou o Projeto Comando Rosa, voltado à formação e à valorização das mulheres motoristas. A iniciativa busca reduzir algumas das barreiras identificadas pela empresa para a entrada dessas profissionais em operações de maior complexidade, como acesso à capacitação, experiência com veículos pesados e condições de segurança durante viagens de longa distância.
Um dos principais caminhos é o Programa Motorista Trainee. A empresa seleciona profissionais habilitadas na categoria C e oferece uma trilha de desenvolvimento com treinamento interno, acompanhamento de motoristas instrutores e participação progressiva em diferentes operações. A formação inclui direção preventiva e defensiva, telemetria e preparação para o manuseio de carretas. Ao final do processo, a West Cargo custeia integralmente a mudança da CNH da categoria C para a E.
“Identificamos que muitas mulheres já possuem habilitação e experiência com caminhões menores, mas encontram poucas oportunidades para avançar até a carreta. O objetivo foi criar esse caminho dentro da própria empresa, dando formação, acompanhamento e condições para que elas possam evoluir profissionalmente com segurança”, explica Luigi Rosolen, diretor da West Cargo.
A preparação também considera a rotina fora da cabine. A empresa mapeou pontos de parada nas principais rotas com estrutura adequada para atender as motoristas e desenvolveu treinamentos específicos de segurança. As ações se somam aos recursos já utilizados pela transportadora, como monitoramento, rastreamento, câmeras, telemetria e capacitação contínua.
Atualmente, a West Cargo possui quatro motoristas mulheres e trabalha com a perspectiva de ampliar gradualmente essa participação. Durante o projeto, o número total de mulheres na empresa dobrou, com presença em todos os departamentos.