Sustentabilidade no TRC vai além das emissões: projetos já economizaram 11 milhões de litros de combustível
Quando se fala em sustentabilidade no transporte rodoviário de cargas, reduzir emissões costuma ser a primeira associação. Mas uma década de projetos desenvolvidos por empresas do setor mostra que essa agenda já chegou também à gestão das operações, à segurança dos motoristas, à produtividade e à qualificação dos profissionais.
Dados reunidos pelo SETCESP (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região) mostram que, entre 2015 e 2025, iniciativas apresentadas ao Prêmio de Sustentabilidade da entidade resultaram na economia de 11.028.125 litros de combustíveis e 2.259.515 m³ de água, além de 574.916 toneladas de CO₂ que deixaram de ser emitidas na atmosfera e 231.060 toneladas de materiais reciclados. No período, 99 empresas apresentaram mais de 433 projetos.
Os resultados, porém, não ficam restritos ao impacto ambiental. Os projetos acumularam 452.577 horas de treinamento para profissionais do transporte rodoviário de cargas e beneficiaram mais de 2,7 milhões de pessoas e 1.632 entidades, mostrando como a sustentabilidade passou a alcançar diferentes áreas das transportadoras.
Na operação, algumas dessas iniciativas mostram como medidas sustentáveis podem gerar ganhos econômicos ao mesmo tempo em que reduzem impactos. Entre os casos reunidos pelo SETCESP está o de uma transportadora que migrou para o mercado livre de energia e passou a utilizar fontes solar e eólica, obtendo redução de 30% na fatura mensal de energia. Outro exemplo envolve o uso de inteligência artificial para automatizar atividades de atendimento, coletas, cotações, rastreamento e tarefas internas.
A segurança também aparece dentro dessa agenda. Entre as práticas reunidas estão telemetria para identificar comportamentos de risco, monitoramento de sinais de fadiga, manutenção preventiva, renovação de frota e programas de conscientização. Um dos projetos destacados criou pontos de apoio a cada 600 quilômetros para que motoristas realizassem exames de saúde e tivessem acesso a alojamentos e ambulatórios durante as viagens.
A capacitação é outra frente. Ao longo do período analisado, os projetos somaram mais de 452 mil horas de treinamento. Entre as iniciativas estão programas de formação profissional, prevenção de riscos e desenvolvimento de lideranças, mostrando que a qualificação das equipes também passou a integrar as estratégias de sustentabilidade das empresas.
Para Marcelo Rodrigues, presidente do SETCESP, quando se fala em sustentabilidade no transporte, não estamos falando apenas de trocar combustível ou reduzir emissões. “Há ganhos que aparecem no dia a dia da empresa: menos desperdício, processos mais eficientes, profissionais mais preparados e operações mais seguras. Sustentabilidade precisa fazer sentido ambientalmente, mas também precisa estar incorporada à gestão do negócio”, afirma.