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Acertando o frete!

  • 26 de junho de 2023
  • por Ivo Mattos
CNT e ABTI debatem frete internacional com a Embaixada da Argentina

O diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, e o presidente da ABTI (Associação Brasileira de Transportadores Internacionais), Francisco Cardoso, tiveram reunião na semana passada com o chefe do Departamento Econômico e Comercial da Embaixada da Argentina, ministro Rodrigo Bardoneschi. A pauta do encontro foi a recente decisão do Banco Central argentino de estabelecer que os fretes internacionais só fossem pagos após 90 dias da realização do serviço — podendo chegar a 120 dias, devido ao processo logístico.

Durante a reunião, o presidente da ABTI relatou que, por conta dessa norma, as transportadoras brasileiras estão lidando com insegurança para receber o pagamento por serviços de fretes internacionais da Argentina. Ele explicou que a situação se agravou, ainda mais, em maio deste ano, quando o país adicionou uma outra condição: para receber o pagamento, é preciso ter uma licença prévia, uma declaração aprovada pelo Sirase (Sistema de Importações da República Argentina e Pagamentos de Serviços no Exterior).

De acordo com Cardoso, o que vai acontecer é que menos empresas vão querer transportar para Argentina. “Algumas empresas terão capacidade maior do que outras, mas todas têm limite. O que há é o risco de desvalorização e incerteza de quando vai poder contar com o dinheiro. Muitas transportadoras estão avisando que não vão mais levar produtos para lá.” Com isso, Cardoso completa, poderá haver redução das exportações das transportadoras brasileiras ao país vizinho e, no caso da Argentina, há o risco de o frete disparar, de modo a pressionar a inflação.

Valter Souza afirmou que cerca de 35% dos gastos dos transportadores são com combustíveis e mais 15%, com folha salarial e que, por isso, é inviável um cenário em que as empresas precisem aguardar tanto tempo para receber o pagamento.

Diante desse cenário, o presidente da ABTI apresentou a Rodrigo Bardoneschi três propostas para mitigar a situação: a diminuição do prazo para pagamento do frete, de 90 para 45 dias; a redução de 60 para 30 dias para liberação das licenças; e maior previsibilidade em relação aos fretes de importação na Argentina.

O ministro argentino, por sua vez, comprometeu-se a levar o pleito dos brasileiros ao Ministério da Economia do seu país. Ele informou que já estão em discussão, com o governo do Brasil, novas linhas de crédito para o setor, além de uma proposta do Ministério argentino de regime especial para fretes internacionais.

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