Transportadoras iniciam em agosto preparação para movimentar R$ 14,7 bilhões
Enquanto milhões de consumidores ainda nem começaram a pesquisar os produtos que pretendem comprar na Black Friday, uma parte importante da economia brasileira já vive a preparação para a principal data do varejo. Nas transportadoras, agosto marca o início de uma verdadeira operação de guerra para garantir que mercadorias cheguem aos centros de distribuição e aos consumidores dentro do prazo durante o maior pico de demanda do comércio eletrônico.
A antecipação não acontece por acaso. A expectativa é de que a Black Friday movimente R$ 14,75 bilhões no comércio eletrônico brasileiro em 2026, um crescimento de 10,47% em relação ao ano anterior, com mais de 18,2 milhões de pedidos previstos apenas no período promocional.
Transportadoras passam a revisar disponibilidade de frota, redistribuir caminhões entre regiões, reorganizar escalas de motoristas, reforçar equipes operacionais, negociar capacidade com embarcadores e reavaliar rotas para absorver um volume que, em poucas semanas, pode superar em muito a movimentação de meses considerados normais.
“A Black Friday não começa quando o consumidor abre o aplicativo para procurar descontos. Ela começa meses antes, quando a logística precisa decidir onde cada caminhão vai estar, quais operações terão prioridade e como garantir capacidade suficiente para atender um aumento repentino da demanda sem comprometer o restante da operação”, afirma Leonardo Busin, CEO da Transportadora Buzin.
A mudança no comportamento do consumidor tornou esse planejamento ainda mais complexo. Se há alguns anos a concentração das vendas acontecia praticamente em um único fim de semana, hoje o varejo trabalha com campanhas ao longo de todo o mês de novembro e muitas empresas iniciam promoções ainda em outubro. O resultado é uma pressão constante sobre toda a cadeia logística.
Além do crescimento do comércio eletrônico, outro fator transformou a preparação das transportadoras: a pulverização das vendas. Marketplaces passaram a concentrar milhares de pequenos vendedores distribuídos pelo país, aumentando a necessidade de operações mais flexíveis e com maior previsibilidade.
“A logística deixou de transportar apenas grandes lotes de mercadorias para poucas empresas. Hoje existe uma quantidade muito maior de origens e destinos diferentes. Isso exige planejamento muito mais detalhado porque qualquer gargalo pode gerar atrasos em toda a cadeia”, explica Busin.
Na prática, o segundo semestre se transforma em um período de preparação contínua. É quando empresas revisam contratos, reorganizam janelas de carregamento, negociam volumes futuros com clientes e acompanham diariamente indicadores de ocupação da frota. A margem para improviso praticamente desaparece.