Cuidados com os pneus são de extrema importância para os caminhões e ônibus. Se você não dá a devida a atenção a isso, se liga no que o Roberto Ayala, gerente de engenharia de vendas da Bridgestone tem para lhe contar!
Rede do Transporte – Temperaturas externas mais altas como um dia muito quente. Esse calor excessivo causa quais danos aos pneus dos caminhões?
Roberto Ayala – O calor excessivo aumenta significativamente a temperatura interna dos pneus, principalmente em caminhões que percorrem longas distâncias com carga elevada. Esse aquecimento pode acelerar o desgaste da borracha, provocar comprometimento estrutural dos componentes internos e elevar a pressão interna além do ideal. Em situações extremas, o acúmulo de calor pode levar a falhas estruturais, como separação de componentes ou até estouros, especialmente quando combinado com calibragem inadequada ou sobrecarga.
RT – Quais os principais cuidados que o motorista/caminhoneiro precisa ter quando se inicia uma jornada nessas condições?
RA – O primeiro cuidado é garantir a calibragem correta dos pneus, sempre de acordo com a recomendação do fabricante e considerando a carga transportada. Essa verificação deve ser feita com os pneus frios, antes do início da jornada.
Além disso, é fundamental realizar uma inspeção visual, observando desgaste irregular, cortes, bolhas ou objetos cravados. Em viagens longas, o ideal é aproveitar as paradas para novas checagens rápidas, já que calor, tempo de rodagem contínua e carga aumentam a exigência sobre os pneus ao longo do trajeto.
RT – Muitos veículos rodam com marcas de pneus diferentes, principalmente no implemento. Quais os principais problemas que isso acarreta?
RA – É importante lembrar que a própria legislação trata desse ponto. De acordo com a Resolução CONTRAN nº 913/2022, os pneus montados no mesmo eixo, de forma simétrica, devem ter a mesma construção, tamanho, capacidade de carga e aro. Quando temos pneus de marcas ou modelos diferentes no mesmo eixo, muitas vezes essa exigência acaba não sendo atendida, o que pode gerar problemas.
Diferenças de diâmetro, rigidez ou capacidade de carga alteram o comportamento dinâmico do conjunto. Isso pode resultar em desgaste irregular, aumento do consumo de combustível e maior esforço sobre os componentes mecânicos.
No transporte rodoviário, essa prática também pode comprometer a estabilidade do implemento e afetar a dirigibilidade. Por isso, sempre que possível, o ideal é manter pneus homogêneos no mesmo eixo, respeitando as especificações técnicas recomendadas.
RT – O cuidado com um pneu novo é o mesmo do que um pneu recapado? Quais as diferenças?
RA – Os cuidados básicos são os mesmos para pneus novos e recapados: calibragem correta, inspeção visual frequente, respeito aos limites de carga e manutenção adequada do veículo.
A principal diferença está no histórico do pneu. No caso do recapado, é ainda mais importante garantir que a carcaça esteja em boas condições e que a recapagem tenha sido realizada dentro de padrões técnicos rigorosos. Quando bem recapado e utilizado corretamente, o pneu recapado oferece desempenho e segurança compatíveis com a aplicação, além de contribuir para a sustentabilidade e redução de custos operacionais.
RT – Cada vez mais a tecnologia auxilia na manutenção correta dos pneus. Quais hoje a Bridgestone disponibiliza ao mercado?
RA – A Bridgestone oferece no Brasil soluções completas de gestão de pneus para frotas, com foco na redução do custo por quilômetro, aumento da durabilidade e ganhos em sustentabilidade. Essas soluções combinam pneus premium, serviços especializados e a tecnologia de recapagem Bandag, que prolonga a vida útil das carcaças e reduz o descarte, mantendo desempenho semelhante ao de pneus novos com menor custo. Hoje, tanto o time Bridgestone quanto os Revendedores Bridgestone utilizam o Toolbox, que é a nossa ferramenta voltada para a gestão e manutenção de pneus em frotas. Ela permite acompanhar informações importantes sobre desempenho, histórico de manutenção e vida útil dos pneus, ajudando na tomada de decisão